Dislexia: Diagnóstico e Tratamento.
20/06/2007
- Associação Brasileira de Dislexia.
Dislexia: Definição, Sinais e Avaliação.
Definida
como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e
soletração, a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula.
Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 05% e 17% da população
mundial é disléxica.
Ao
contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má
alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa
inteligência. Ela é uma condição hereditária com alterações genéticas,
apresentando ainda alterações no padrão neurológico.
Por esses
múltiplos fatores é que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe
multidisciplinar. Esse tipo de avaliação dá condições de um acompanhamento mais
efetivo das dificuldades após o diagnóstico, direcionando-o às particularidades
de cada indivíduo, levando a resultados mais concretos.
Sinais de Alerta.
Como a
dislexia é genética e hereditária, se a criança possuir pais ou outros parentes
disléxicos, quanto mais cedo for realizado o diagnóstico melhor para os pais, à
escola e à própria criança. A criança poderá passar pelo processo de avaliação
realizada por uma equipe multidisciplinar especializada (vide adiante), mas se
não houver passado pelo processo de alfabetização o diagnóstico será apenas de
uma "criança de risco".
Haverá
sempre:
- dificuldades com a linguagem e escrita;
- dificuldades em escrever;
- dificuldades com a ortografia;
- lentidão na aprendizagem da leitura;
Haverá
muitas vezes :
- disgrafia (letra feia);
- discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada;
- dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização;
- dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar sequências de tarefas complexas;
- dificuldades para compreender textos escritos;
- dificuldades em aprender uma segunda língua.
Haverá às
vezes:
- dificuldades com a linguagem falada;
- dificuldade com a percepção espacial;
- confusão entre direita e esquerda.
Pré-Escola.
Fique
alerta se a criança apresentar alguns desses sintomas:
- Dispersão;
- Fraco desenvolvimento da atenção;
- Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem;
- Dificuldade em aprender rimas e canções;
- Fraco desenvolvimento da coordenação motora;
- Dificuldade com quebra cabeça;
- Falta de interesse por livros impressos;
O fato de
apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ela seja
disléxica; há outros fatores a serem observados. Porém, com certeza, estaremos
diante de um quadro que pede uma maior atenção e/ou estimulação.
Idade Escolar.
Nesta
fase, se a criança continua apresentando alguns ou vários dos sintomas a
seguir, é necessário um diagnóstico e acompanhamento adequado, para que possa
prosseguir seus estudos junto com os demais colegas e tenha menos prejuízo
emocional:
- Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita;
- Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
- Desatenção e dispersão;
- Dificuldade em copiar de livros e da lousa;
- Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginástica,dança,etc.);
- Desorganização geral: podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares;
- Confusão entre esquerda e direita;
- Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc...
- Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas;
- Dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados, etc...
- Dificuldades em decorar sequências, como meses do ano, alfabeto, tabuada, etc..
- Dificuldade na matemática e desenho geométrico;
- Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomias) Troca de letras na escrita;
- Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
- Problemas de conduta como: depressão, timidez excessiva ou o "palhaço da turma";
- Bom desempenho em provas orais.
Se nessa
fase a criança não for acompanhada adequadamente, os sintomas persistirão e
irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais e
consequentemente sociais e profissionais.
Adultos.
Se não
teve um acompanhamento adequado na fase escolar ou pré-escolar, o adulto
disléxico ainda apresentará dificuldades:
- Continuada dificuldade na leitura e escrita;
- Memória imediata prejudicada;
- Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
- Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia);
- Dificuldade com direita e esquerda;
- Dificuldade em organização;
- Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como consequência: depressão, ansiedade, baixa auto estima e algumas vezes o ingresso para as drogas e o álcool.
DIAGNÓSTICO.
Os
sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar,
só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia. E não pára
por aí, os mesmos sintomas podem indicar outras situações, como lesões,
síndromes e etc.
Então,
como diagnosticar a dislexia?
Identificado
o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos
na escola ou mesmo em casa, deve se procurar ajuda especializada.
Uma
equipe multidisciplinar, formada por Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga
Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda
garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a
necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista,
Oftalmologista e outros, conforme o caso.
A equipe
de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou
descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO
MULTIDISCIPLINAR e de EXCLUSÃO.
Outros
fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou
deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas),
desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes
fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes
são conseqüências, não causa da dislexia).
Neste
processo ainda é muito importante tomar o parecer da escola, dos pais e
levantar o histórico familiar e de evolução do paciente.
Essa
avaliação não só identifica as causas das dificuldades apresentadas, assim como
permite um encaminhamento adequado a cada caso, por meio de um relatório por
escrito.
Depois de Diagnosticada a Dislexia.
Sendo
diagnosticada a dislexia, o encaminhamento orienta o acompanhamento consoante
às particularidades de cada caso, o que permite que este seja mais eficaz e
mais proveitoso, pois o profissional que assumir o caso não precisará de um
tempo para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres
importantes.
Conhecendo
as causas das dificuldades, o potencial e as individualidades do indivíduo, o
profissional pode utilizar a linha que achar mais conveniente. Os resultados
irão aparecer de forma consistente e progressiva.
Ao
contrário do que muitos pensam, o disléxico sempre contorna suas dificuldades,
encontrando seu caminho. Ele responde bem a situações que possam ser associadas
a vivências concretas e aos múltiplos sentidos. O disléxico também tem sua
própria lógica, sendo muito importante o bom entrosamento entre profissional e
paciente.
Outro
passo importante a ser dado é definir um programa em etapas e somente passar
para a seguinte após confirmar que a anterior foi devidamente absorvida, sempre
retomando as etapas anteriores. É o que chamamos de sistema
MULTISSENSORIAL e CUMULATIVO.
Também é
de extrema importância haver uma boa troca de informações, experiências e até
sintonia dos procedimentos executados, entre profissional, escola e família.
Nenhum comentário:
Postar um comentário